A boca abre até certo ponto e para. Ou pior: fecha e não abre mais. A sensação de ATM travando assusta justamente porque acontece de repente, muitas vezes em situações banais como um bocejo.
O travamento não é uma condição isolada. Ele costuma ser o desfecho de um processo que vinha se desenvolvendo há meses, com estalos e desconforto que passaram despercebidos.
Neste artigo, a Dra. Jessica Cuffa, especialista e mestra em DTM e Dor Orofacial pela UFPR, explica os tipos de travamento, o que fazer no momento da crise e como tratar.
Os dois tipos de travamento da ATM
Existem dois quadros distintos, com causas e condutas diferentes.
Travamento fechado
É o mais comum. A boca não abre além de um limite, geralmente entre 20 e 30 milímetros, cerca de dois dedos.
Acontece quando o disco articular se desloca para a frente e não retorna à posição. Ele passa a funcionar como uma barreira física ao deslizamento do côndilo.
Um detalhe importante: muitos pacientes relatam que o estalo desapareceu pouco antes do travamento começar. Isso não foi melhora, foi o disco deixando de retornar.
Travamento aberto
Menos frequente e mais dramático. A boca fica aberta e a pessoa não consegue fechá-la, quadro chamado de luxação.
Ocorre quando o côndilo ultrapassa o limite anterior da articulação e fica preso à frente. Costuma acontecer em aberturas máximas, como bocejos amplos ou procedimentos odontológicos longos.
Essa situação é urgência e exige atendimento imediato para reposicionamento.
Por que a ATM trava
- Deslocamento de disco que evolui para ausência de retorno
- Bruxismo e apertamento, que sobrecarregam a articulação
- Frouxidão ligamentar, que favorece a luxação
- Abertura excessiva prolongada, incluindo procedimentos longos
- Trauma direto na região
- Episódios repetidos anteriores, que aumentam a chance de recorrência
O que fazer durante um travamento
Diante de travamento fechado, algumas medidas ajudam enquanto você busca atendimento:
- Não forçar a abertura, o que tende a piorar o quadro
- Aplicar calor úmido na região para relaxar a musculatura
- Manter dieta macia temporariamente
- Evitar bocejos amplos e chiclete
- Buscar avaliação o quanto antes
No travamento aberto, com impossibilidade de fechar a boca, a orientação é uma só: procurar atendimento imediatamente. Não tente reposicionar por conta própria.
A rapidez importa. Travamentos fechados abordados nas primeiras semanas respondem consideravelmente melhor do que aqueles com meses de evolução.
Como é feito o tratamento
A conduta depende do tipo e do tempo de evolução. Para travamentos fechados recentes, o objetivo é recuperar a amplitude e reduzir a inflamação.
Os recursos podem incluir terapia manual, exercícios orientados, placa oclusal e controle dos fatores de sobrecarga, como o bruxismo.
Casos crônicos costumam alcançar boa função mesmo sem o disco retornar à posição original, porque a articulação se adapta com o tempo. Procedimentos invasivos ficam reservados a situações específicas.
A Dra. Jessica Cuffa, especialista e mestra em DTM e Dor Orofacial pela UFPR, avalia a amplitude, o histórico e o padrão de movimento antes de definir a conduta. Veja também o que significam os estalos na ATM ou o tratamento de DTM.
Perguntas frequentes sobre ATM travando
Por que a mandíbula trava?
Geralmente porque o disco articular se desloca e não retorna à posição, impedindo o deslizamento normal do côndilo.
Travamento da mandíbula é urgência?
O travamento aberto, com impossibilidade de fechar a boca, é urgência. O fechado exige avaliação rápida, mas não atendimento imediato.
O travamento pode passar sozinho?
Episódios breves podem se resolver espontaneamente. Travamento persistente exige tratamento, e quanto mais cedo, melhor a resposta.
Por que o estalo sumiu antes de travar?
Porque o disco deixou de retornar à posição. A ausência do ruído, nesse contexto, indica progressão e não melhora.
Vou precisar de cirurgia?
Na maioria dos casos, não. A abordagem conservadora resolve ou controla a maior parte dos travamentos.
Conclusão
A ATM travando se apresenta em dois formatos: o fechado, que limita a abertura, e o aberto, que impede o fechamento e configura urgência.
O tempo entre o episódio e a avaliação influencia diretamente o resultado, o que faz da rapidez o fator mais importante.
Reconhecer os sinais que antecedem o travamento, principalmente o desaparecimento do estalo com perda de amplitude, é o que permite agir antes, e esse é o alerta que a Dra. Jessica Cuffa costuma reforçar.
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Se você já teve episódios de travamento ou percebeu que sua boca abre menos que antes, procure avaliação sem adiar.
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