No relatório do exame, duas expressões aparecem lado a lado: boca aberta e boca fechada. Para quem nunca fez uma ressonância da ATM, essa divisão pode parecer redundante. Na prática, é o que torna o exame realmente útil.
Cada uma das duas posições revela uma informação diferente sobre a articulação, e é a comparação entre elas que permite o diagnóstico mais preciso.
Neste artigo, a Dra. Jessica Cuffa, especialista e mestra em DTM e Dor Orofacial pela UFPR, explica por que esse protocolo existe e o que cada posição mostra.
Por que a ressonância da ATM inclui as duas posições
O elemento central da avaliação é o disco articular, estrutura que amortece o contato entre o côndilo da mandíbula e o osso temporal. Ele não é fixo: acompanha o movimento da mandíbula durante toda a abertura da boca.
Avaliar apenas uma posição mostraria só uma fotografia estática de um processo dinâmico. É como julgar o funcionamento de uma dobradiça observando-a fechada, sem nunca vê-la em movimento.
O que a imagem de boca fechada mostra
Com a boca fechada, o exame avalia a posição de repouso do disco articular, quando a mandíbula está na posição habitual de descanso.
Aqui se observa se o disco está corretamente posicionado sobre o côndilo ou se já apresenta deslocamento mesmo sem movimento algum, o que indica um quadro mais avançado.
O que a imagem de boca aberta mostra
Com a boca aberta ao máximo, avalia-se se o disco acompanha o deslocamento do côndilo durante o movimento.
Se o disco se recoloca corretamente sobre o côndilo durante a abertura, o quadro é chamado de deslocamento com redução, geralmente associado ao estalo característico. Se o disco permanece deslocado mesmo durante o movimento máximo, trata-se de deslocamento sem redução, quadro que costuma estar associado a maior limitação de abertura.
Por que essa diferença importa tanto
A distinção entre os dois tipos de deslocamento muda diretamente a conduta.
| Com redução | Sem redução | |
|---|---|---|
| Estalo | Presente | Costuma desaparecer |
| Abertura de boca | Geralmente preservada | Frequentemente limitada |
| Evolução comum | Estável ou variável | Pode progredir para travamento |
| Abordagem inicial | Conservadora | Conservadora, com acompanhamento mais próximo |
Um sinal que costuma confundir o paciente: quando o estalo que existia há anos desaparece, muita gente interpreta como melhora. Na comparação entre boca aberta e fechada, esse desaparecimento pode revelar justamente a evolução para deslocamento sem redução.
Como o resultado orienta o tratamento
A Dra. Jessica Cuffa, especialista e mestra em DTM e Dor Orofacial pela UFPR, interpreta esse resultado sempre em conjunto com o exame clínico, nunca isoladamente.
Um achado de deslocamento na imagem não define sozinho a necessidade de qualquer procedimento. A decisão considera a intensidade dos sintomas, o tempo de evolução e a resposta a abordagens conservadoras iniciais. Entenda melhor a ressonância magnética da ATM e o diagnóstico da DTM.
Perguntas frequentes sobre a ressonância com boca aberta e fechada
Por que a ressonância da ATM é feita de boca aberta e fechada?
Para comparar a posição do disco articular em repouso e durante o movimento, o que permite identificar se há deslocamento e como ele se comporta.
O que é deslocamento de disco com redução?
É quando o disco, deslocado em repouso, retorna à posição correta durante a abertura da boca, geralmente produzindo um estalo característico.
O que é deslocamento de disco sem redução?
É quando o disco permanece deslocado mesmo durante a abertura máxima, associado com frequência a maior limitação de movimento.
O desaparecimento do estalo é sinal de melhora?
Nem sempre. Pode indicar que o disco deixou de retornar à posição durante o movimento, o que exige avaliação, não apenas comemoração.
Todo deslocamento de disco precisa de cirurgia?
Não. A maioria dos casos, mesmo com deslocamento identificado na imagem, responde bem a tratamento conservador.
Conclusão
O protocolo de boca aberta e fechada na ressonância da ATM transforma um exame estático em uma avaliação do comportamento dinâmico do disco articular.
Essa comparação é o que permite diferenciar tipos de deslocamento com implicações clínicas distintas, informação decisiva para o planejamento do tratamento.
É essa leitura combinada, entre imagem e clínica, que a Dra. Jessica Cuffa aplica na interpretação de cada exame.
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